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10 de fev. de 2010

Sinopse: O Baronato de Shoah, de José Roberto Vieira



O romance de estréia de José Roberto Vieira é uma fantástica aventura em um mundo sombrio que remete ao Steampunk, videogames, animações e RPG, onde passado, presente e futuro se encontram numa fórmula emocionante.

Sehn Hadjakkis é um Mashiyrra, um Escolhido. Desde seu nascimento ele foi eleito para ser um soldado da Kabalah, a elite do exército e liderar as forças do Quinto Império contra seus inimigos, os Legisladores.

Depois de quatro anos de lutas, mortes, e traições, Sehn finalmente tem a chance de voltar para casa e cumprir uma promessa feita ainda na infância: se casar com seu primeiro e verdadeiro amor, Maya Hawthorn.

Entretanto, a única coisa que o impede é outra promessa, feita no leito de morte a seus pais: vingar-se de Edgar Crow, um amigo que traiu sua família e destruiu seus sonhos, transformando a vida de Sehn num verdadeiro inferno e o mundo em que vive um pesadelo.

Quando um Golpe de Estado ameaça tudo aquilo em que Sehn acredita, ele se vê obrigado a escolher entre uma destas promessas para salvar seu mundo ou a mulher que ama.

Se fizer a escolha errada, ele pode destruir a ambos.

Ou a si mesmo.

( Confira as primeiras páginas desta emocionante história AQUI )

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José Roberto Vieira foi uma idéia que quase deu errado. Encrenqueiro quando criança, afeto a péssimas companhias, relaxado, detestava ler. Até que, por acaso, teve contato com RPG e Literatura. Isso salvou sua vida. Sério.

Tem contos publicados no Anno Domini: Manuscritos Medievais (Editora Andross, 208), e na antologia Pacto de Monstros (Editora Multifoco, 2009).   Foi coordenador do blog “Nexus RPG” e criou os RPGs Éride e Taenarum, distribuídos gratuitamente pela internet.

14 de jan. de 2010

Resenha: Os Grandes Símios, de Will Self


"Os Grandes Símios" talvez seja um dos livros mais loucos e insanos que alguém pode ler. No começo, o leitor pode ficar extremamente horrorizado com os termos e situações que Will Self dispõe no romance. É claro que isto não é, de forma alguma, um ponto negativo. Talvez para uns, sim, mas para os que admiram uma experiência literária semelhante a um sonho estranho e, ao mesmo tempo, real, o livro pode ser um banquete.

Esta é a história de Simon Dykes, um artista plástico residente de Londres, que, depois de uma noite cheia de bebida, drogas e sexo com sua namorada, Sarah, acorda em um mundo dominado por chimpanzés. Ao se deparar com a cena, principalmente com a de uma macaca-Sarah deitada em sua cama, Simon tem um ataque agressivo, de modo que um grupo de chimpanzés o busca e o leva para uma clínica psiquiátrica. Acontece que, neste mundo, Dykes é dado como um "chimp" louco que pensa ser um humano.

É depois disso que Zack Busner, um psiquiatra renomado, começa a cuidar de Simon, levando-o pouco a pouco a recuperar a sua "chimpunidade". Isso quer dizer que ele vai ter que aprender a aceitar o contato  com outros símios, voltar a ter controle sobre seu corpo e, principalmente, ver a si mesmo como um chimpanzé, e não como um homem.

Will Self trás em seu romance um coquetel de personagens singulares e bem construídos (embora muitas vezes bizarros), inversão de valores e pensamentos dignos de um psicopata, mergulhado em uma Londres verdadeiramente selvagem.

Uma observação interessante é que, ao longo da história, o leitor vai se acostumando (provavelmente) com o mundo de Self. As situações e os atos dos chimpanzés não parecem tão estranhos, de modo que a "chimpunidade" vai se assemelhando cada vez mais com a humanidade.

O que se pode perceber, muitas vezes, é que podemos ser (e somos!) tão selvagens e animalescos quanto os chimpanzés.

30 de nov. de 2009

Resenha: Black Flag, de Valerio Evangelisti


Utilizando uma narrativa violenta e doentia, o italiano Valerio Evangelisti, autor da trilogia "Magus" e de "O Inquisidor" e "Correntes da Inquisição", constrói, a partir de três histórias alternadas, um livro inovador e marcante. O primeiro capítulo é o início de uma história, em um tempo mais próximo do presente, onde uma tragédia no Panamá, condicionada pelo ataque de estadunidenses, acontece. Há a presença de um grupo de prisioneiros americanos portadores da "porfiria", doença responsável por algumas lendas sobre lobisomens. Tal doença, na verdade, é um dos focos principais do livro. Esta história só tem continuidade no último capítulo.

Passada na Guerra da Secessão, a história principal, de capítulos maiores, conta a trajetória de Pantera, um pistoleiro mexicano, que também é um "palero", uma espécie de xamã. O feiticeiro é capturado por um bando de mercenários liderado por Jesse James, lendário cowboy de gatilho rápido. Acaba sendo tratado não como prisioneiro, mas como um membro do bando. Em meio ao caos de assaltos a fazendas e do escalpelamento de inimigos, Pantera conhece Koger, um sujeito possuidor de uma doença que o faz parecer um lobisomem, Molly, uma prostituta irlandesa que se apaixona por ele, Lobo Branco, um índio velho portador de um cachimbo capaz de proporcionar experiências psicodélicas, Bellegarrigue, um médico francês anarquista que pretende usar o bando para conseguir seu objetivo, e vários outros personagens insanos e absurdos.

A história que se mescla com a de Pantera se passa em um futuro distante, onde a terra, sobretudo "Paradice", a cidade em que vive Lilith, a protagonista, é habitada somente por loucos. A esta altura, a tortura e o sofrimento são encarados como formas de afeto, a morte é vista com indiferença e o estupro é corriqueiro. Todos são assim, sem exceção.

Considerado por alguns a obra lançada no Brasil mais próxima do New Weird, Black Flag quebra o conceito que costumamos ter sobre fantasia e ficção científica, reinventando e fundindo vários estilos de forma bastante efetiva.